A revolução mexicana na arte

Ao término da Revolução Mexicana (1920), o México entrou em uma fase de reconstrução cultural onde participaram artistas, músicos, intelectuais e membros da nascente classe política. Esse impulso às artes resultou em um ímpeto de renovação, que também foi atrativo para os Estados Unidos. Vários escritores, pintores e jornalistas norte-americanos viajaram para o nosso país, com a finalidade de aproximar-se do chamado “Renascimento artístico mexicano”.

John dos Passos —que era um reconhecido escritor e jornalista norte-americano de esquerda— ficou impressionado com os murais feitos por Diego Rivera, no início da década dos anos vinte, e disse convencido a frase imperativa “você Pinta a Revolução!”, o que foi motivo de um artigo publicado na revista New Masses. É assim como esta frase cunhada por Dois Passos dá pé a esta importante exposição de arte mexicano sexmex, onde se reforça o vínculo entre o México e os Estados Unidos, o qual necessita ser entendido e compreendido agora mais do que nunca. Isso também se reflete na união de vontades e de trabalho conjunto entre o Museu do Palácio de Belas Artes e o Museu de Arte da Filadélfia, que são as duas instituições museísticas que organizam essa amostra com videos xxx incluidos.

Arte revolucionaria

Pinta a Revolução. Arte moderna mexicano, 1910-1950 não alude à criação artística, que foi resultado do movimento armado de 1910. É importante considerar que artistas como Saturnino Herrán, Alfredo Ramos Martinez e o próprio David Alfaro Siqueiros já haviam realizado a princípios do século XX, uma série de propostas relacionadas também com as tendências artísticas internacionais e, de alguma forma, seu trabalho foi marcado por uma continuidade nos anos seguintes.

Ao contrário de outras mostras de arte mexicano que exaltam sobremaneira o discurso nacionalista, Pinta a Revolução quer destacar a complexidade e a variedade que têm caracterizado a arte mexicana, o qual foi realimentação com os múltiplos diálogos e conexões com as vanguardas. Por isso também há obra do Dr. Atl, Diego Rivera, José Clemente Orozco, Anjo Zárraga, Rufino Tamayo, Maria Esquerdo, entre muitos outros.

Dividida em cinco seções temáticas, a exposição centra-se nas diferentes perspectivas pelas quais se pode abordar a arte mexicano moderno. Além da presença da pintura mural se podem apreciar as contribuições de gráfico política, a linguagem vanguardista da fotografia e alguns exemplos desconhecidos do surrealismo, para citar alguns.

Por outro lado, é importante destacar o uso das novas tecnologias nesta exposição, já que permitem uma aproximação ao estudo da pintura mural mexicana, mesmo com quilômetros de por meio. O público poderá interagir de forma inovadora, com os murais O Correr da Revolução Agrária e Proletária, localizados na Secretaria de Educação Pública (1926-1929), de Diego Rivera, bem como com os murais de Orozco no Dartmouth College (1934-1936). Menção à parte merecem os fragmentos da versão para piano de “Chamadas” ou “Sinfonia proletária”, de Carlos Chávez, uma de suas obras mais adiantadas.

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